“A tua risada doce,
e o teu jeito, também doce,
me conquista.
Me convidas, mesmo sem saber,
a entregar esse meu coração tão batido a ti.
Mas é difícil de pensar nas dores do passado
quando me encontro ao teu lado.
É difícil de pensar, ao todo.
Me concentro em tua presença, nas tuas mãos.
Me concentro no que gostaria que fizessem.
Escrevo poemas mentalmente que depois esquecerei.
Qualquer movimento teu, por mais pequeno que seja,
tem a minha atenção.
É natural, instintivo, automático.
Me perco nos detalhes, nos teus olhos, na tua barba.
Me perco em ti.
A partir do momento em que você aparece: sou tua.”
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Algumas linhas sobre 2014
Mais um ano se acaba, e, dessa vez, me encontro em uma nova década de vida. Alguns planos atrasados, outros planos formados. Coisas que aconteceram só porque os planos foram atrasados. Coisas boas. Pessoas. Histórias, experiências. Havia bastante tempo que coisas assim não aconteciam. Diria que, de fato, esse ano foi um novo começo. Um recomeço. O começo de uma mudança.
Algumas fotos tiradas, várias lembranças. Mas, mesmo que devendo, termino o ano com um saldo bom. Novas perspectivas. Vidas. Poemas. Conexões e reconexões. Descobertas, certezas. E um amor que só cresce, cada vez mais.
Que venha 2015. Que seja melhor, que traga mais oportunidades, pessoas, aventuras. Que traga mais sonhos realizados.
Algumas fotos tiradas, várias lembranças. Mas, mesmo que devendo, termino o ano com um saldo bom. Novas perspectivas. Vidas. Poemas. Conexões e reconexões. Descobertas, certezas. E um amor que só cresce, cada vez mais.
Que venha 2015. Que seja melhor, que traga mais oportunidades, pessoas, aventuras. Que traga mais sonhos realizados.
domingo, 14 de dezembro de 2014
terça-feira, 18 de novembro de 2014
sábado, 4 de outubro de 2014
Already home
“Every now and then
I think about home,
the place where my heart is.
Every now and then
I think about going home,
and since now it’s now it’s not an option,
I resign myself thinking
I’m already home.
I’m under the same stars,
the same constellations
as I would be there.
I’m already home
when I think about those
who I miss.”
I think about home,
the place where my heart is.
Every now and then
I think about going home,
and since now it’s now it’s not an option,
I resign myself thinking
I’m already home.
I’m under the same stars,
the same constellations
as I would be there.
I’m already home
when I think about those
who I miss.”
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Coisas mágicas
Eu costumava achar o pôr-do-sol daqui mais bonito. Mas, ao rever algumas fotos, lembrei de como o pôr-do-sol de lá é inigualável, mesmo sendo o mesmo pôr-do-sol. Havia esquecido de tal beleza, de tal magia. Magia aquela que sentimos poucas vezes durante a vida — poucas coisas despertam tal sentimento. Mas, quer saber? Não devia ser assim. Há tantas coisas tão mágicas por aí, e não nos damos conta de metade delas. Coisas simples, sutis. Uma flor, um luar, um pássaro cantando pela manhã. E quer saber mais? Todas essas coisas me fazem pensar em você. Queria que pudesse ver com os meus olhos, apenas por momentos breves, momentos chaves. Aqueles últimos segundos do pôr-do-sol, quando as estrelas já começam a aparecer. Queria que sentisse com o meu coração, também por breves momentos (porque não sei se te caberia tanta intensidade que, as vezes, transborda), momentos em que as coisas parecem infinitas. E são! Mas essa verdade a maior parte do tempo escapa aos nossos sentidos. Pode ser um infinito breve, em dias. Mas, quem sabe, também pode ser em anos, algumas décadas aqui e ali. E tudo isso faz um sentido tão grande! A magia e a beleza das coisas simples, dos sentimentos bons. De dias ensolarados e também de dias chuvosos, por que não? As vezes, somos tão conscientes de tudo isso que parecemos nos esquecer, deixar todo esse infinito escapar. Deixa eu te dizer, eu não esqueço. Tento apreciar cada momento desses com os olhos bem abertos. Bem alerta a cada detalhe novo, por mais simples que seja, talvez. E faço o mesmo com você. Te enxergo com olhos atentos, carinhosos e apreciantes. Com o coração latente, batendo forte dentro do peito.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Him
“I should’ve told you personally.
I wanted to see the look on your face.
I knew you didn’t want me to come.
I knew I didn’t want to come.
But I came.
Somehow, I need it to.
I knew you didn’t want me to come.
I knew I didn’t want to come.
But I came.
Somehow, I need it to.
I finally left you behind,
of all those times
I wanted to forget you.
But not like this,
not like me missing words to say,
not like your hug being so cold,
so fast.
Not in a hurry because
I was just leavin’.
of all those times
I wanted to forget you.
But not like this,
not like me missing words to say,
not like your hug being so cold,
so fast.
Not in a hurry because
I was just leavin’.
You and me have history.
And now I write this
instead of sleeping.
It’s not right.
We are lacking some closure,
some words,
some clarity.
But we were just kids.
And now I write this
instead of sleeping.
It’s not right.
We are lacking some closure,
some words,
some clarity.
But we were just kids.
I thought I would have
more to say,
but after all these years
there’s nothing left to say.
You followed your own path
I followed mine.
more to say,
but after all these years
there’s nothing left to say.
You followed your own path
I followed mine.
I miss you.
I don’t know exactly what I miss,
But I miss you.
I miss you being around,
here and there.
I miss our strange way of
still being friends
after all that happened.
I miss your jealousy.
I miss your eyes
looking into mine,
intensity.
I miss your presence.
I miss our afternoon movies,
we holding hands,
fear.
I even miss your mom.
But I miss you.
I miss you being around,
here and there.
I miss our strange way of
still being friends
after all that happened.
I miss your jealousy.
I miss your eyes
looking into mine,
intensity.
I miss your presence.
I miss our afternoon movies,
we holding hands,
fear.
I even miss your mom.
I know it’s all just past.
Years and years behind.
Mostly if we count the years
we met.
It’s not dust.
It will never be dust.
Years and years behind.
Mostly if we count the years
we met.
It’s not dust.
It will never be dust.
I miss you
You and our devious history.
I miss the feeling that used to
tell me we were meant to be.
But we weren’t.
At least not in that time,
at least not now.
You and our devious history.
I miss the feeling that used to
tell me we were meant to be.
But we weren’t.
At least not in that time,
at least not now.
I miss you.
”
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Sometimes seasons end too soon for us to realize
“It was the end of the winter
and we were starting something new.
And as I watch the spring bloom,
I thought that, maybe for the first time,
this was it.
But when I closed my eyes you had already
jumped off our boat.
Today I know I can not blame you,
I was too frightened
and at some point I would’ve done the same.
You were just the first one to jump.
And this is why I ran away from you
when you were looking for me.
I couldn’t let myself enter in all of that again.
Now I know.
Sometimes seasons end too soon for us to realize.
As the winter.
As us.”
and we were starting something new.
And as I watch the spring bloom,
I thought that, maybe for the first time,
this was it.
But when I closed my eyes you had already
jumped off our boat.
Today I know I can not blame you,
I was too frightened
and at some point I would’ve done the same.
You were just the first one to jump.
And this is why I ran away from you
when you were looking for me.
I couldn’t let myself enter in all of that again.
Now I know.
Sometimes seasons end too soon for us to realize.
As the winter.
As us.”
domingo, 29 de dezembro de 2013
Sentimentos de final de ano
Mais um ano que se vai, e com isso vem a infalível retrospectiva do ano, as memórias do que se viveu. Vem também aquela sensação vazia de não ter feito nada do que deveria ter feito, de tempo perdido (que você continua perdendo nesse exato momento), de sonhos que parecem estar cada vez mais longe, fugindo, escapando de nossas mãos como areia.
Ter medo do velho senhor a quem chamamos de Tempo é algo que vai além da explicação, e, mesmo assim, há quem tenha. Eu, por exemplo. Tenho medo do tempo, de que ele passe rápido demais e eu não consiga fazer tudo o que eu quero, de viajar e conhecer lugares que tanto me fascinam, de aprender tudo o que tenho vontade de aprender, de conhecer todas as pessoas que quero conhecer; de me realizar. Ao mesmo tempo tenho esse medo de que o tempo passe devagar demais, e que o dia de fazer tais coisas nunca chegue. Em suma, tenho medo de uma vida frustrada, a qual o tempo terá o poder de ajudar.
Há quem diga que dezenove primaveras é pouca coisa. Mas do meu ponto de vista é exatamente tudo o que eu vivi. É muito tempo, e os últimos cinco anos passaram tão rápido que mal vi, mal me vi, mal vivi. Foi quase aquele clichê de "piscar os olhos e passou". Desconfio que é daí que vem o medo de que o resto da minha vida passe do mesmo jeito, e como foi, continue: mal viva.
Neste ano que está prestes a se iniciar faço vinte (para ser um pouco óbvia), e a ânsia que existe em mim de alcançar os meus objetivos cresce mais a cada dia que passa. Tem mais fome que qualquer fome de comida, mais sede do que qualquer sede de água. E mesmo assim não os posso alcançar de um dia para outro. Exigem paciência, paciência esta que desaparece em um mar de ansiedade quando o assunto é o futuro. E, mesmo tendo um destino certo e imutável, acabo me perdendo nas curvas da estrada, sem direção e sem que possa entender.
E é assim que se termina mais um ano. Com uma enorme ansiedade e pitadas de angústia pelo futuro, assim como boas lembranças, conversas e risadas de um passado que, por enquanto, ainda é presente.
"O seu espírito parecia ter pressa de viver num breve instante o mesmo que muitos vivem numa existência prolongada." — Charlotte Brontë in Jane Eyre.
Ter medo do velho senhor a quem chamamos de Tempo é algo que vai além da explicação, e, mesmo assim, há quem tenha. Eu, por exemplo. Tenho medo do tempo, de que ele passe rápido demais e eu não consiga fazer tudo o que eu quero, de viajar e conhecer lugares que tanto me fascinam, de aprender tudo o que tenho vontade de aprender, de conhecer todas as pessoas que quero conhecer; de me realizar. Ao mesmo tempo tenho esse medo de que o tempo passe devagar demais, e que o dia de fazer tais coisas nunca chegue. Em suma, tenho medo de uma vida frustrada, a qual o tempo terá o poder de ajudar.
Há quem diga que dezenove primaveras é pouca coisa. Mas do meu ponto de vista é exatamente tudo o que eu vivi. É muito tempo, e os últimos cinco anos passaram tão rápido que mal vi, mal me vi, mal vivi. Foi quase aquele clichê de "piscar os olhos e passou". Desconfio que é daí que vem o medo de que o resto da minha vida passe do mesmo jeito, e como foi, continue: mal viva.
Neste ano que está prestes a se iniciar faço vinte (para ser um pouco óbvia), e a ânsia que existe em mim de alcançar os meus objetivos cresce mais a cada dia que passa. Tem mais fome que qualquer fome de comida, mais sede do que qualquer sede de água. E mesmo assim não os posso alcançar de um dia para outro. Exigem paciência, paciência esta que desaparece em um mar de ansiedade quando o assunto é o futuro. E, mesmo tendo um destino certo e imutável, acabo me perdendo nas curvas da estrada, sem direção e sem que possa entender.
E é assim que se termina mais um ano. Com uma enorme ansiedade e pitadas de angústia pelo futuro, assim como boas lembranças, conversas e risadas de um passado que, por enquanto, ainda é presente.
"O seu espírito parecia ter pressa de viver num breve instante o mesmo que muitos vivem numa existência prolongada." — Charlotte Brontë in Jane Eyre.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Encontros
Outro dia, ao te ver na porta do seu prédio como muitas outras vezes, me peguei imaginando sem perceber qual seria a sensação e o efeito de te abraçar. Algo na blusa que você estava usando era muito convidativo. E, enquanto passava, você ficava ali, sem se mover, apenas olhando.
Às vezes fico pensando em nossos casuais encontros, e como parece que o Universo os orquestra perfeitamente. Por vezes, eles não aconteceriam caso eu me atrasasse por alguns minutos - até segundos as vezes -, e o mesmo aconteceria com você. Qualquer imprevisto: ter esquecido as chaves de casa, o tênis desamarrar, o telefone de casa tocar antes de sair e a ligação ser pra você. Em alguns casos, você aparece mesmo alguns instantes depois de eu ter pensando em você. Assim, do nada. Quase como mágica.
Chega a ser curioso e um pouco misterioso tudo isso, e acabo elevando minhas esperanças. Pois, por qual motivo o Universo estaria tendo todo esse trabalho? Deve ser algo pra ser. Tantos encontros assim, tão bem orquestrados, não podem ser mera coincidência. E, se algum dia chegar a descobrir que sim, foram mera coincidência, tenho que te dizer: nunca tive tantas e tantas coincidências tão agradáveis desse jeito com outra pessoa.
Vai ver, talvez seja apenas o Universo jogando no meu time, me dizendo para não deixar de lado, para não esquecer aquele algo especial que eu vi em você e que até hoje não sei dizer o que é. Vai ver, ele também te quer no meu time. Vai ver, eu tenho algo para aprender com você, algo que seja necessário no futuro.
São tantas suposições, e, no final do dia, elas são só isso mesmo: suposições, teorias, esperança, enquanto eu não descubro a verdade. Mas, se tem duas coisas que descobri e percebi durante esse tempo, é que eu adoro esses nossos encontros casuais, e não é nem um pouco difícil escrever sobre você.
Às vezes fico pensando em nossos casuais encontros, e como parece que o Universo os orquestra perfeitamente. Por vezes, eles não aconteceriam caso eu me atrasasse por alguns minutos - até segundos as vezes -, e o mesmo aconteceria com você. Qualquer imprevisto: ter esquecido as chaves de casa, o tênis desamarrar, o telefone de casa tocar antes de sair e a ligação ser pra você. Em alguns casos, você aparece mesmo alguns instantes depois de eu ter pensando em você. Assim, do nada. Quase como mágica.
Chega a ser curioso e um pouco misterioso tudo isso, e acabo elevando minhas esperanças. Pois, por qual motivo o Universo estaria tendo todo esse trabalho? Deve ser algo pra ser. Tantos encontros assim, tão bem orquestrados, não podem ser mera coincidência. E, se algum dia chegar a descobrir que sim, foram mera coincidência, tenho que te dizer: nunca tive tantas e tantas coincidências tão agradáveis desse jeito com outra pessoa.
Vai ver, talvez seja apenas o Universo jogando no meu time, me dizendo para não deixar de lado, para não esquecer aquele algo especial que eu vi em você e que até hoje não sei dizer o que é. Vai ver, ele também te quer no meu time. Vai ver, eu tenho algo para aprender com você, algo que seja necessário no futuro.
São tantas suposições, e, no final do dia, elas são só isso mesmo: suposições, teorias, esperança, enquanto eu não descubro a verdade. Mas, se tem duas coisas que descobri e percebi durante esse tempo, é que eu adoro esses nossos encontros casuais, e não é nem um pouco difícil escrever sobre você.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Desencontros
Esses nossos desencontros andam me causando agonia, e tudo o que acabo pensando são aviões. Aviões sem destino, viagens e aventuras em qualquer lugar que eu não conheça. Em algum lugar em que eu talvez possa te encontrar, em algum lugar onde as coisas possam ser diferentes. Onde não haja indiferença, só o calor da sua voz. Onde eu possa adormecer em teus braços e me sentir tranquila e segura. Onde possa ser apenas eu e você. Nós.
Mas não acredito que exista algum lugar assim para nós, ainda. E mesmo assim me vejo tentada à embarcar em algum avião qualquer e procurar. Procurar por qualquer pista de que tudo isso não é em vão. Uma pista que me faça acreditar, recuperar a fé em nós dois que ando perdendo. Algo em que eu possa depositar toda a minha esperança, sabendo que ela não se quebrará. Alguma história que me faça acreditar que o amor realmente existe, e que está por aí. Por aqui. Que o que sinto pode ser real, verdadeiro, e que possa durar por toda uma vida. A minha.
Se todos esses anos não tivessem passado, se eles não tivessem existido, seria tão mais fácil de me provar o contrário. Mas agora estou tentada à acreditar, a sentir, a querer provar o gosto de algo tão real, tão único. E você é o culpado de tudo isso. Não por me despertar tal sentimento, mas por me fazer querer acreditar e ir além. Quebrar todas as barreiras, atravessar todos os oceanos. Viajar entre mundos, se fosse possível. Ir até o infinito.
Não sei exatamente como, mas sei que tudo mudou no momento em que o vi apagar aquela linha que eu acreditava nos separar. E à partir daquele momento eu nunca mais fui a mesma.
Mas não acredito que exista algum lugar assim para nós, ainda. E mesmo assim me vejo tentada à embarcar em algum avião qualquer e procurar. Procurar por qualquer pista de que tudo isso não é em vão. Uma pista que me faça acreditar, recuperar a fé em nós dois que ando perdendo. Algo em que eu possa depositar toda a minha esperança, sabendo que ela não se quebrará. Alguma história que me faça acreditar que o amor realmente existe, e que está por aí. Por aqui. Que o que sinto pode ser real, verdadeiro, e que possa durar por toda uma vida. A minha.
Se todos esses anos não tivessem passado, se eles não tivessem existido, seria tão mais fácil de me provar o contrário. Mas agora estou tentada à acreditar, a sentir, a querer provar o gosto de algo tão real, tão único. E você é o culpado de tudo isso. Não por me despertar tal sentimento, mas por me fazer querer acreditar e ir além. Quebrar todas as barreiras, atravessar todos os oceanos. Viajar entre mundos, se fosse possível. Ir até o infinito.
Não sei exatamente como, mas sei que tudo mudou no momento em que o vi apagar aquela linha que eu acreditava nos separar. E à partir daquele momento eu nunca mais fui a mesma.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Uma última vez
Esquece os últimos meses. Esquece o nosso passado. Apenas diga que sim e entre nesse carro. Embarque nesse viagem. Quero fugir daqui com você, por pelo menos uma última noite. Não precisamos admitir nossos erros, nem falar dos nossos acertos. Finge que a gente vai começar do zero, mas se lembre, como eu, que também terminamos tudo nessa noite. É a última vez.
Então fecha os olhos, mas não imagine um futuro. Aproveite comigo esse presente. Deixa eu te mostrar, pela última vez, as constelações que conheço. Te contar das coisas que gosto. E, se dessa vez você também não quiser dizer ou contar nada, tudo bem. Vou entender o seu silêncio, sem tentar preenchê-lo desesperadamente, e tentarei apreciá-lo. Mas vem.
É a última vez que te peço algo, não me deixa na mão. Deixa eu fazer essa noite contigo tudo aquilo que sonhei pra nós dois. Deixa eu realizar meus sonhos ao seu lado, mesmo que eles durem apenas uma noite. Deixa eu fingir que essa noite não vai ter fim, e, quando o sol nascer, assisti-lo em seus braços. Apenas mais uma vez. Vem?
Então fecha os olhos, mas não imagine um futuro. Aproveite comigo esse presente. Deixa eu te mostrar, pela última vez, as constelações que conheço. Te contar das coisas que gosto. E, se dessa vez você também não quiser dizer ou contar nada, tudo bem. Vou entender o seu silêncio, sem tentar preenchê-lo desesperadamente, e tentarei apreciá-lo. Mas vem.
É a última vez que te peço algo, não me deixa na mão. Deixa eu fazer essa noite contigo tudo aquilo que sonhei pra nós dois. Deixa eu realizar meus sonhos ao seu lado, mesmo que eles durem apenas uma noite. Deixa eu fingir que essa noite não vai ter fim, e, quando o sol nascer, assisti-lo em seus braços. Apenas mais uma vez. Vem?
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Cicatrizes
Hoje passei pelo lugar que costumava ser o nosso cantinho. Reparei que lá agora há algumas mini árvores, que há novas pichações, há mais cor. Parece tanto tempo, anos atrás, que acontecemos. Mas na verdade foram só alguns meses atrás, e mesmo assim nossas memórias estão distantes. E nós estamos tão perto. E não nos pertencemos mais.
Sempre imagino se você agora leva outras garotas para lá, ou se aquele lugar agora é imaculado. Se você passa por ali vez ou outra para cortar caminho para ir pra casa, e esbarra com as nossas memórias. Se lembra, se sente falta. Se pensa como estaríamos hoje em dia, caso tivéssemos durado. Como seríamos.
Confesso que evito pensar em tudo isso, evito lembrar daqueles momentos. Não para evitar que a dor apareça, pois essa nunca existiu, mas sim para que a nostalgia não me encontre. Sabe, sempre fui uma pessoa muito nostálgica.
Tento não te encontrar por aí. Não sei como agir perto de você, ainda mais com todo esse clima estranho que ficou entre nós dois. Talvez, um dia, quando tudo isso passar, possamos ser amigos. Ou talvez não, talvez é melhor que mantenhamos essa distância. Vai ver ela é a única coisa que nos prende. Juntos ou separados, não importa. A vida seguiu e seguimos com ela. Voltamos para o nossos cantos, nossas vidas, nossas coisas.
Fomos como uma colisão de dois carros em alta velocidade. Rápido e trágico. Mas, talvez, com certa beleza. A foto tirada no momento exato. E depois, no momento seguinte, tudo já tinha passado e acontecido. Não existia mais. Deixando ferimentos e fraturas, que com o tempo sararam. Só restando as cicatrizes.
Sempre imagino se você agora leva outras garotas para lá, ou se aquele lugar agora é imaculado. Se você passa por ali vez ou outra para cortar caminho para ir pra casa, e esbarra com as nossas memórias. Se lembra, se sente falta. Se pensa como estaríamos hoje em dia, caso tivéssemos durado. Como seríamos.
Confesso que evito pensar em tudo isso, evito lembrar daqueles momentos. Não para evitar que a dor apareça, pois essa nunca existiu, mas sim para que a nostalgia não me encontre. Sabe, sempre fui uma pessoa muito nostálgica.
Tento não te encontrar por aí. Não sei como agir perto de você, ainda mais com todo esse clima estranho que ficou entre nós dois. Talvez, um dia, quando tudo isso passar, possamos ser amigos. Ou talvez não, talvez é melhor que mantenhamos essa distância. Vai ver ela é a única coisa que nos prende. Juntos ou separados, não importa. A vida seguiu e seguimos com ela. Voltamos para o nossos cantos, nossas vidas, nossas coisas.
Fomos como uma colisão de dois carros em alta velocidade. Rápido e trágico. Mas, talvez, com certa beleza. A foto tirada no momento exato. E depois, no momento seguinte, tudo já tinha passado e acontecido. Não existia mais. Deixando ferimentos e fraturas, que com o tempo sararam. Só restando as cicatrizes.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Sobre o nosso fim
Eu não posso te culpar. Te pedi pra tomar uma decisão e você tomou. A que eu queria, mas não a que eu esperava. Porque, por mais que quisesse que você me deixasse em paz, no fundo, no fundo, eu não queria. No fundo eu ainda te queria (e quero). Só não gosto de forma alguma de admitir isso. Nem pra mim mesma. Finjo não saber o que sinto, e, quem sabe, logo o sentimento passa. Mas não é assim, e nem foi assim. Meses se passaram e eu ainda estou aqui, por mais que goste de negar.
E agora é você quem vai embora. De toda às vezes que fui e voltei, mesmo não admitindo que voltava. De toda às vezes que você ia, e sempre voltava. Mas dessa vez eu sei que você não vai voltar. Que, depois de tanto tempo, você vai desistir de vez. Afinal, não foi o que eu pedi?
Sei que errei contigo, com a gente, e feio. Mesmo você também não sendo nenhum santo. E sinto que há qualquer coisa com 'desculpa' precisando ser dito. Principalmente por aquele dia. Odeio ser arrogante, e acabei sendo. E talvez até um pouco estúpida. Foi o meu jeito de me fazer forte perto de ti, de não demonstrar o quanto que eu queria que você me pegasse pela mão e me tirasse dali. De não mostrar o quanto eu me perco quando eu olho em teus olhos.
Eu queria tanto que a gente tivesse dado certo, mesmo findando essa relação desde o começo. Juro que queria. E tudo de negativo que dizia era apenas medo. Até agora ainda sinto medo, de admitir o que sinto, de você realmente ir embora e não voltar mais. De você desistir, finalmente, de mim.
E tenho que dizer, não é tão fácil assim ser tão sincera quanto à isso. Por tanto tempo lutei contra, até em dizer e admitir para mim mesma. E agora que o fim chama, resolvi me deixar ir. Mas provavelmente já é tarde demais. Mais uma vez acabo no lado errado, no negativo, devendo pro coração. E eu que quis sair de tudo isso pra não doer. Mas tô aqui, morrendo em agonia cada vez que você não me olha. Cada vez que eu te vejo. Cada vez que eu lembro dos nossos momentos.
Agora luto com a vontade de pegar o telefone e te ligar, de pedir pra te ver. Não sei o que você diria, se dissesse algo. Não sei como reagiria caso você atendesse, se teria coragem de falar. Queria impedir que tudo isso se acabasse, mesmo tendo acabado há algum tempo atrás. Mas agora, a decisão que parece mais certa para se tomar é deixar ir. Eu, você, o que tínhamos. Mesmo agonizando cada vez que te vejo, e insistindo em negar toda a falta que você me faz.
E agora é você quem vai embora. De toda às vezes que fui e voltei, mesmo não admitindo que voltava. De toda às vezes que você ia, e sempre voltava. Mas dessa vez eu sei que você não vai voltar. Que, depois de tanto tempo, você vai desistir de vez. Afinal, não foi o que eu pedi?
Sei que errei contigo, com a gente, e feio. Mesmo você também não sendo nenhum santo. E sinto que há qualquer coisa com 'desculpa' precisando ser dito. Principalmente por aquele dia. Odeio ser arrogante, e acabei sendo. E talvez até um pouco estúpida. Foi o meu jeito de me fazer forte perto de ti, de não demonstrar o quanto que eu queria que você me pegasse pela mão e me tirasse dali. De não mostrar o quanto eu me perco quando eu olho em teus olhos.
Eu queria tanto que a gente tivesse dado certo, mesmo findando essa relação desde o começo. Juro que queria. E tudo de negativo que dizia era apenas medo. Até agora ainda sinto medo, de admitir o que sinto, de você realmente ir embora e não voltar mais. De você desistir, finalmente, de mim.
E tenho que dizer, não é tão fácil assim ser tão sincera quanto à isso. Por tanto tempo lutei contra, até em dizer e admitir para mim mesma. E agora que o fim chama, resolvi me deixar ir. Mas provavelmente já é tarde demais. Mais uma vez acabo no lado errado, no negativo, devendo pro coração. E eu que quis sair de tudo isso pra não doer. Mas tô aqui, morrendo em agonia cada vez que você não me olha. Cada vez que eu te vejo. Cada vez que eu lembro dos nossos momentos.
Agora luto com a vontade de pegar o telefone e te ligar, de pedir pra te ver. Não sei o que você diria, se dissesse algo. Não sei como reagiria caso você atendesse, se teria coragem de falar. Queria impedir que tudo isso se acabasse, mesmo tendo acabado há algum tempo atrás. Mas agora, a decisão que parece mais certa para se tomar é deixar ir. Eu, você, o que tínhamos. Mesmo agonizando cada vez que te vejo, e insistindo em negar toda a falta que você me faz.
sábado, 6 de julho de 2013
Apostar
Eu sempre apostei no coração. Pra mim, era o que valia mais. Era aquilo de "siga o seu coração e você não vai se arrepender". Então, recentemente, aprendi que não é sempre assim. Que sim, é mais difícil de se arrepender se você seguir o que o seu coração diz. Mas, também, é mais fácil de sofrer. E me entenda, não é por medo de dor. A conheço bem, já somos velhas amigas. A questão aqui é outra, é aquela que pergunta se vale à pena.
Apostar todas as suas fichas em algo que você sabe que acontecerá do mesmo jeito não é algo inteligente. Falta razão. E é exatamente nisso que ando me apoiando ultimamente: razão. Por que continuar insistindo em algo que terá o mesmo resultado, se você pode apostar em algo novo e obter resultados diferentes (e, quem sabe, até melhores)?
Mesmo querendo dizer sim para os seus lindos olhos, que sempre me fascinam e hipnotizam, eu simplesmente não posso. Porque não são eles, é você. E tudo o que você (não) faz. São todas aquelas vezes que eu esperei por você e você não veio. São telefonemas não atendidos. É a sua falta de atitude. É você não dizendo o que pensa, e não provando o que sente. É por todo aquele tempo que você não disse nada.
É por essas ocasiões e mais algumas outras que eu não posso apostar mais em você. Você já me fez perder todas as minhas fichas, e agora ando com saldo negativo em questões do coração. Quem diria! Com toda aquela lábia até parecia que você era um bom jogador.
Apostar todas as suas fichas em algo que você sabe que acontecerá do mesmo jeito não é algo inteligente. Falta razão. E é exatamente nisso que ando me apoiando ultimamente: razão. Por que continuar insistindo em algo que terá o mesmo resultado, se você pode apostar em algo novo e obter resultados diferentes (e, quem sabe, até melhores)?
Mesmo querendo dizer sim para os seus lindos olhos, que sempre me fascinam e hipnotizam, eu simplesmente não posso. Porque não são eles, é você. E tudo o que você (não) faz. São todas aquelas vezes que eu esperei por você e você não veio. São telefonemas não atendidos. É a sua falta de atitude. É você não dizendo o que pensa, e não provando o que sente. É por todo aquele tempo que você não disse nada.
É por essas ocasiões e mais algumas outras que eu não posso apostar mais em você. Você já me fez perder todas as minhas fichas, e agora ando com saldo negativo em questões do coração. Quem diria! Com toda aquela lábia até parecia que você era um bom jogador.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Inspiração
Já passou de uma da manhã, e você aparece na varanda pra fumar. E antes que você possa me reparar, eu já reparei em você. E admito sem medo, gosto de te ver. Gosto de saber que temos sintonia. Gosto de saber que você me deixa sorrindo. Não sei, mas tenho em mente que nos daríamos muito bem. Seja como amigos ou o que for. Algo em você me diz que você é diferente. Diferente, não perfeito. E algo em tudo isso me dá alguma paz.
Você pode não ser um galã, e ser apenas um garoto. Talvez com a mesma idade que a minha, talvez um ano mais velho. Não importa. Qualquer coisa entre a natureza da Terra, e a posição das estrelas me diz que é pra ser. Do jeito que for. Que vier. Apenas é.
Te observo de longe, mesmo sendo perto. Esbarro com você na rua, mas dizer oi seria um pouco estranho demais, dado as circunstâncias. Você sabe do que eu falo. Não sei o que acontece ali naquele meio, se dizem e o que dizem de mim. Mas espero que você não acredite, e queira descobrir por si próprio. Eu provavelmente não sou o que falam. Sou muito mais do que imaginam.
Tenho certeza que você se surpreenderia se soubesse há quanto tempo te observo. Já lá vão quase dois anos. Mas juro, não é nada obsessivo. É apenas que seu mistério me desperta curiosidade. Quero saber sobre você, sua vida, sua família, seu cachorro (que, aliás, é muito fofo!). Sonhos acordados e sonhos adormecidos, se realmente surfa e desde quando, e quando descobriu que gostava de tal coisa.
Não sei bem ao certo desde quando, mas a música "Inspiração" da Liah me lembra de você. Me lembra da primeira vez que eu reparei em você. Aquele momento eu não esqueço de jeito nenhum. Nem de você. E quando penso em você/sobre você, é com um carinho tão grande que se eu não fosse eu, estranharia. Você de certo estranharia, e não entenderia. Mas não é preciso entender. Só sentir.
Você pode não ser um galã, e ser apenas um garoto. Talvez com a mesma idade que a minha, talvez um ano mais velho. Não importa. Qualquer coisa entre a natureza da Terra, e a posição das estrelas me diz que é pra ser. Do jeito que for. Que vier. Apenas é.
Te observo de longe, mesmo sendo perto. Esbarro com você na rua, mas dizer oi seria um pouco estranho demais, dado as circunstâncias. Você sabe do que eu falo. Não sei o que acontece ali naquele meio, se dizem e o que dizem de mim. Mas espero que você não acredite, e queira descobrir por si próprio. Eu provavelmente não sou o que falam. Sou muito mais do que imaginam.
Tenho certeza que você se surpreenderia se soubesse há quanto tempo te observo. Já lá vão quase dois anos. Mas juro, não é nada obsessivo. É apenas que seu mistério me desperta curiosidade. Quero saber sobre você, sua vida, sua família, seu cachorro (que, aliás, é muito fofo!). Sonhos acordados e sonhos adormecidos, se realmente surfa e desde quando, e quando descobriu que gostava de tal coisa.
Não sei bem ao certo desde quando, mas a música "Inspiração" da Liah me lembra de você. Me lembra da primeira vez que eu reparei em você. Aquele momento eu não esqueço de jeito nenhum. Nem de você. E quando penso em você/sobre você, é com um carinho tão grande que se eu não fosse eu, estranharia. Você de certo estranharia, e não entenderia. Mas não é preciso entender. Só sentir.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Aprendi sem a gramática que saudade não tem tradução.
De certa forma, é acolhedor olhar em volta e ver que não sou a única a sentir tanta saudade dentro do peito. Pelo contrário, ultimamente parece que o mundo se abriu ao meio e foi preenchido com saudade, nostalgia, amargura e dor. E tudo isso é tão ruim. Ver as pessoas sentindo saudades insuportáveis que não podem ser curadas; ver a amargura que toda essa saudade deixa; ver essa nostalgia sem fim que traz mais saudade, e ver o mundo cada vez mais preenchido com dor. O que tem acontecido com as pessoas? Por que ultimamente elas estão causando tanta dor às outras? É o egoísmo de pensar só em si mesmo? É machucar para não se machucar no fim? Pra quê tudo isso? Estou começando à ficar com medo. Medo de que um dia finalmente não poderei abaixar os muros que agora envolvem a minha alma e o meu coração por causa de toda essa saudade. Medo de que as pessoas se tornem cada vez mais egoístas, e machuquem cada vez mais às outras, e que no final só reste a dor. Que viver se iguale à dor. Que respirar doa profundamente, e que cada suspiro faça-me desejar para que seja o último. Dá medo de que um dia às pessoas não ‘melhorem’. É triste vê-las acabando com as outras e sequer se importar. Sequer sentir. Pois enquanto umas morrem de saudade, outras exalam arrogância. E o orgulho domina sem precisar de vencer qualquer luta que seja. E o mundo vai se tornando cinza, vai esfriando… Até congelar. E nem orgulho nem arrogância vai derreter qualquer gelo. E muito menos trazer qualquer cor de volta.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Paredes brancas
Mal eram seis da manhã, e ainda não havia dormido. Olhava para as paredes brancas de seu quarto, e revivia algumas memórias alheias. Se lembrou de uma em especial.
- Tá com saudade? - Ele perguntava.
- Tô, e você? - Ela dizia relutante, não querendo admitir a falta insuportável que ele fazia.
- Também.
Ela queria que aquele "também" fosse o suficiente para acalentar aquele coração carente. Carente pela falta dele. Mas ela conseguia sentir a frieza na voz dele. Ele não havia feito qualquer esforço para tentar fazer com que suas palavras soassem como verdades. Aquela frieza a matava por dentro.
Mal sabia que aquela frieza estava só por começar.
Parou um momento, não conseguia e não queria digerir mais aquelas memórias. Não precisava remoelas. Não dessa vez. Mas aquelas palavras ecoavam em sua mente, em um vácuo sem fim.
- Por que você não atende?
- Sei lá. Eu gosto de ficar escutando a música que toca.
(Silêncio)
- Mas vai continuar atendendo? - Ela ainda tentava.
- Talvez.
Talvez.... Talvez.
O relógio agora marcava seis em ponto. E ela ainda continuava perdida naquela memória. Naquela memória que não se apagava. Naquele telefonema frio. Aquilo acabava com ela cada vez que lembrava. Cada vez que sentia a maldita falta dele. Cada vez que doía. Cada vez que pensava que um dia ele significara seu mundo. "Trezentos e sessenta graus" - pensou. Trezentos e sessenta graus.
Não, pára.
Quis lembrar das desculpas pedidas sem saber o porquê. Quis lembrar das milhares de desculpas sem intenção. Das milhares de palavras que fizeram sua base. Daquele aconchego que sentia, mesmo de longe. Daquela segurança. Daquela certeza de que ele sempre estaria ali. De quando ele disse que faria o que pudesse.
E agora ele era apenas uma memória. Uma maldita memória que não se apagava. Uma maldita memória que doía. Uma maldita memória que trazia saudade. Uma maldita....
Maldita? Maldita.
Queria acreditar que no fundo ela ainda teria esperanças. De que tudo se revertesse, de que ele mudasse de ideia e voltasse. Mas isso não iria acontecer, e ela sabia. Tentava se convencer de que assim era melhor, se não ficou, era porque era leve demais. E tudo que é leve demais o vento leva.
O único problema era que não havia sido o vento que o levara. Ele, por si só, se fora embora. A deixara. Não olhara pra trás. Não fizera esforço para que ela pensasse que ele ainda estaria ali, mesmo de longe. Não fizera nada.
Malditas paredes brancas daquele quarto. A encheria com outras memórias, com fotos alegres, com cores. Nada que dali por diante a fizesse lembrar dele quando batesse os olhos naquelas paredes brancas. Não teria quase-manhãs como aquela mais. Tudo mudaria. Ele não mais existiria.
Mas a quem ela queria enganar? Ele sempre existiria. Fosse pela dor, fosse pela mudança. Ele sempre iria existir dentro dela.
Mesmo que um dia não chegasse a doer, ele existiria. Existiria porque ela o amou. Existiria porque ele a fez acreditar. Existiria por tê-la cuidado. Existiria por existir. Porque ele existia. Dentro ou fora, ele existiria. Ele ainda existe. E nunca iria embora, não daquele peito. Não daquelas memórias.
Pensou bem.
Deixa as paredes brancas, ela gostava de lembrar.
- Tá com saudade? - Ele perguntava.
- Tô, e você? - Ela dizia relutante, não querendo admitir a falta insuportável que ele fazia.
- Também.
Ela queria que aquele "também" fosse o suficiente para acalentar aquele coração carente. Carente pela falta dele. Mas ela conseguia sentir a frieza na voz dele. Ele não havia feito qualquer esforço para tentar fazer com que suas palavras soassem como verdades. Aquela frieza a matava por dentro.
Mal sabia que aquela frieza estava só por começar.
Parou um momento, não conseguia e não queria digerir mais aquelas memórias. Não precisava remoelas. Não dessa vez. Mas aquelas palavras ecoavam em sua mente, em um vácuo sem fim.
- Por que você não atende?
- Sei lá. Eu gosto de ficar escutando a música que toca.
(Silêncio)
- Mas vai continuar atendendo? - Ela ainda tentava.
- Talvez.
Talvez.... Talvez.
O relógio agora marcava seis em ponto. E ela ainda continuava perdida naquela memória. Naquela memória que não se apagava. Naquele telefonema frio. Aquilo acabava com ela cada vez que lembrava. Cada vez que sentia a maldita falta dele. Cada vez que doía. Cada vez que pensava que um dia ele significara seu mundo. "Trezentos e sessenta graus" - pensou. Trezentos e sessenta graus.
Não, pára.
Quis lembrar das desculpas pedidas sem saber o porquê. Quis lembrar das milhares de desculpas sem intenção. Das milhares de palavras que fizeram sua base. Daquele aconchego que sentia, mesmo de longe. Daquela segurança. Daquela certeza de que ele sempre estaria ali. De quando ele disse que faria o que pudesse.
E agora ele era apenas uma memória. Uma maldita memória que não se apagava. Uma maldita memória que doía. Uma maldita memória que trazia saudade. Uma maldita....
Maldita? Maldita.
Queria acreditar que no fundo ela ainda teria esperanças. De que tudo se revertesse, de que ele mudasse de ideia e voltasse. Mas isso não iria acontecer, e ela sabia. Tentava se convencer de que assim era melhor, se não ficou, era porque era leve demais. E tudo que é leve demais o vento leva.
O único problema era que não havia sido o vento que o levara. Ele, por si só, se fora embora. A deixara. Não olhara pra trás. Não fizera esforço para que ela pensasse que ele ainda estaria ali, mesmo de longe. Não fizera nada.
Malditas paredes brancas daquele quarto. A encheria com outras memórias, com fotos alegres, com cores. Nada que dali por diante a fizesse lembrar dele quando batesse os olhos naquelas paredes brancas. Não teria quase-manhãs como aquela mais. Tudo mudaria. Ele não mais existiria.
Mas a quem ela queria enganar? Ele sempre existiria. Fosse pela dor, fosse pela mudança. Ele sempre iria existir dentro dela.
Mesmo que um dia não chegasse a doer, ele existiria. Existiria porque ela o amou. Existiria porque ele a fez acreditar. Existiria por tê-la cuidado. Existiria por existir. Porque ele existia. Dentro ou fora, ele existiria. Ele ainda existe. E nunca iria embora, não daquele peito. Não daquelas memórias.
Pensou bem.
Deixa as paredes brancas, ela gostava de lembrar.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Eu nunca fui boa com fins - e confesso, nem com começos. Fui feita para os meios. Porque no final é sempre aquilo: ele me deixa uma marca, e eu deixo uma marca nele, talvez não tão profunda como a que ele me deixou. Nele logo some, em mim permanece. Daí tem a saudade, as lembranças. Muitas vezes a dor. Tem a falta. Tem tudo aquilo que torna a maioria dos fins algo ruim. É sempre difícil de aceitar, de digerir. Pra mim nunca foi algo fácil, sempre me importei demais. E consequentemente, sempre doeu mais. Pra quê, atoa... Mas já era, já foi. Ainda tô no processo de digestão. Um dia ela acaba e eu aceito.
Então tem sempre os começos. Todo aquele novo ciclo. Todo aquele medo inicial de algo não dar certo, de te machucar, de doer, de te fazer mal. Comigo, na maioria das vezes, falta a coragem pra prosseguir. Pra ir pro segundo passo, pra esquecer do passado. São tantas marcas de maus começos, que eu desanimo. Prefiro meu cobertor e cappuccino na manhã fria, e filme romântico ou científico na tevê.
É que a realidade por si só desanima. As pessoas desanimam. Ou melhor, as gentes. "E não é que neste mundo tem cada vez mais gente e cada vez menos pessoas?" Já dizia Mafalda. Gente sem coração, gente fria, gente que não se importa. E vão criando cada vez mais um legado maior de gentes assim. Até não sobrar nenhuma pessoa pra salvar aquilo que chamávamos de humanidade. E elas - as gentes - não cansam. E as pessoas são machucadas, e ficam que nem eu: com medo de começos, sem conseguir digerir direito os finais.
Então tem sempre os começos. Todo aquele novo ciclo. Todo aquele medo inicial de algo não dar certo, de te machucar, de doer, de te fazer mal. Comigo, na maioria das vezes, falta a coragem pra prosseguir. Pra ir pro segundo passo, pra esquecer do passado. São tantas marcas de maus começos, que eu desanimo. Prefiro meu cobertor e cappuccino na manhã fria, e filme romântico ou científico na tevê.
É que a realidade por si só desanima. As pessoas desanimam. Ou melhor, as gentes. "E não é que neste mundo tem cada vez mais gente e cada vez menos pessoas?" Já dizia Mafalda. Gente sem coração, gente fria, gente que não se importa. E vão criando cada vez mais um legado maior de gentes assim. Até não sobrar nenhuma pessoa pra salvar aquilo que chamávamos de humanidade. E elas - as gentes - não cansam. E as pessoas são machucadas, e ficam que nem eu: com medo de começos, sem conseguir digerir direito os finais.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Vontade de café
É que sei lá. Deu vontade de café às quase cinco da manhã. Café pra quem passou a noite inteira acordado, noite de inverno. Fria, fria. E cadê aquele amor pra esquentar? Não, amor não. Amor machuca mais que esquenta. Medo do amor, assumo. Passei a madrugada toda ocupada pra não pensar no assunto. Confesso estar evitando, lutando contra, e tentando ao máximo não escrever sobre. É apenas uma maneira de dizer: não. Dessa vez não. Chega Tempo, passa rápido. Leva embora o que tá querendo crescer aqui dentro. E traz café pra esquentar. Café esquenta sem machucar, sem doer, sem criar cicatrizes. Então traz café. Mas por favor, sem mais memórias. Estou farta de nostalgia, e já a tenho como maldita. É passado Tempo, você mesmo ensina isso. Então deixa passar e não traz de volta. Nem passado, e nem futuro. Me deixa no presente, eu quero o presente. Me deixa viver sem ter com o quê preocupar. Me deixa viver sem perder noites de sono (como essa) pensando no assunto, ou então o evitando. Me deixa. Não há nada que me faça inteiramente bem por agora, sem pelo menos causar agonia. Então me deixa. Só traz café. Documentários, livros que não falem sobre o amor. Eu ainda acredito, Tempo. Só não quero agora, nem amanhã e nem depois de amanhã. Olha tempo, o dia já amanheceu. O café tá pronto. O frio foi embora. Não há porquê se preocupar.
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