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sábado, 17 de janeiro de 2015

Navegar é preciso, mas viver também é preciso.

Navegar é preciso. Não só para encontrar identidade, originalidade, mas também para encontrar o seu lugar no mundo, o caminho que deve trilhar. Moldar-se, e não ser moldado. Moldar-se de forma para que possa e saiba escolher. Pois quando temos controle sobre nós mesmos, mente, corpo, emoções; quando sabemos quem somos, para onde vamos, mesmo que seja apenas uma direção, evitamos percalço. Evitamos "violências" desnecessárias. Evitamos imprevistos, sejam externos ou internos. Evitamos ser consumidos pelo mundo, sendo o contrário: o consumimos, a cada passo que damos, a cada coisa que aprendemos. Evitamos, enfim, morrer na praia. Ao menos não com tanta facilidade.

Porém, moldar-se não é tarefa fácil. Leva tempo, dedicação, esforço. Mas também não é impossível. "Pra quem tem pensamento forte / O impossível é só questão de opinião".
Falando de impossível, na história, vezes sem conta os que acreditam no impossível foram chamados de loucos. E muitas vezes estes "loucos" estavam certos. Foram loucos apenas porque foram além, nadaram contra a corrente, fizeram o impossível acontecer. Não aceitaram o que lhes foram dado, criaram, inventaram, descobriram. E, assim, hoje temos a ciência, a filosofia, a matemática. Por isso, viver também é preciso. Colocar em prática as ideias, os ideais, os ensinamentos.

Tudo o que sabemos hoje, todos os caminhos que foram abertos, foram por causa daqueles loucos, daqueles que acreditaram no impossível, que acreditaram em si e tiveram o pensamento forte. Porém toda essa mudança só foi possível porque eles foram a mudança. Porque foram contra a corrente, porque resolveram se pintar de cores em um mundo preto e branco. Moldaram-se, moldaram as suas ideias, para no fim, moldarem o mundo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Mudanças

Com o tempo aprendi que a vida é uma constante mudança. Ambientes, pessoas, ideias, valores, ideais. Aprendemos muito, mas nem sempre percebemos isso. As vezes são mudanças sutis, aprendizagens pequenas, mas que mudam o mundo. O meu, o seu. O nosso.
Ouvi dizer que tudo nasce de uma ideia, e acredito. São ideais que mudam o mundo. As ações vem depois. E com elas mais mudanças. Infelizmente, nem sempre pra melhor. Mas estamos sempre tentando, constantemente mudando. Muitas vezes ficamos no mesmo lugar, porque a mudança mais importante vive dentro. E mesmo assim continuamos os mesmos.
Talvez a maior batalha seja incorporar no dia a dia todas essas mudanças, ideais, valores. Mas com o costume, se torna hábito. Dar o chute inicial é o mais importante. E também nunca desistir. Não importa quanto tempo leve, um dia se chega lá.

sábado, 30 de agosto de 2014

Além Tejo

Você é o meu além Tejo,
que transcende as minhas 
fronteiras e continentes.
Captura o meu olhar 
e o faz refém,
e ao meu pobre coração
mal vê.
Finge que não faz parte 
dessa dança,
e observa de longe
enquanto danço.
Mas, meu bem,
esse além Tejo não vai
assim tão além,
e eu preciso do
teu bem.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Cicatrizes

Hoje passei pelo lugar que costumava ser o nosso cantinho. Reparei que lá agora há algumas mini árvores, que há novas pichações, há mais cor. Parece tanto tempo, anos atrás, que acontecemos. Mas na verdade foram só alguns meses atrás, e mesmo assim nossas memórias estão distantes. E nós estamos tão perto. E não nos pertencemos mais.

Sempre imagino se você agora leva outras garotas para lá, ou se aquele lugar agora é imaculado. Se você passa por ali vez ou outra para cortar caminho para ir pra casa, e esbarra com as nossas memórias. Se lembra, se sente falta. Se pensa como estaríamos hoje em dia, caso tivéssemos durado. Como seríamos.
Confesso que evito pensar em tudo isso, evito lembrar daqueles momentos. Não para evitar que a dor apareça, pois essa nunca existiu, mas sim para que a nostalgia não me encontre. Sabe, sempre fui uma pessoa muito nostálgica.

Tento não te encontrar por aí. Não sei como agir perto de você, ainda mais com todo esse clima estranho que ficou entre nós dois. Talvez, um dia, quando tudo isso passar, possamos ser amigos. Ou talvez não, talvez é melhor que mantenhamos essa distância. Vai ver ela é a única coisa que nos prende. Juntos ou separados, não importa. A vida seguiu e seguimos com ela. Voltamos para o nossos cantos, nossas vidas, nossas coisas.

Fomos como uma colisão de dois carros em alta velocidade. Rápido e trágico. Mas, talvez, com certa beleza. A foto tirada no momento exato. E depois, no momento seguinte, tudo já tinha passado e acontecido. Não existia mais. Deixando ferimentos e fraturas, que com o tempo sararam. Só restando as cicatrizes.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Não era você

Faz tanto tempo e eu ainda me lembro daqueles dias, anos atrás. Daquela necessidade de ter o seu corpo junto ao meu, de segurar a sua a mão, de te ter o mais perto possível. E quando chegava a noite, poder dormir do seu lado, a sua mão junto da minha. E pensar que eu relutei tanto, e não queria você. Mas você me fez mudar de ideia em apenas uma noite, e depois disso eu me apaixonei.

Ainda me lembro daquele dia na praia, sentados perto do farol assistindo o sol se pôr. E aquelas músicas que gravaram a nossa viagem ainda me fazem relembrá-la cada vez que as escuto. Tudo aquilo acabou marcando, mesmo sem querer, mesmo não durando tanto. Pude terminar e começar um ano ao seu lado, de um jeito especial no meio de toda aquela confusão que havia naquele momento.

Era incrível como o meu corpo ficava fraco quando você estava por perto. E toda aquela necessidade, eu nunca tinha sentido coisa parecida antes. Tinha aquele gostinho de proibido, de perigoso, de aventura. De quero mais, e de não poder ter a todo momento. Éramos 'nós' escondidos, pelos cantos, no escuro. E nossos nós não eram mais do que laços simples, que fazíamos e desfazíamos a todo momento. Mas não éramos totalmente um segredo. Éramos apenas uma aventura efêmera.

Acredito que cada paixão que a gente sente e vive é especial. São únicas. E apesar de toda a beleza daquela paixão fugaz e daqueles momentos, não era você. Não foi você quem eu amei, não era você o tal. Mas não vou dizer que foi mais um. O que eu vivi ali, com você, foi único. Porém eu ainda tenho muita estrada pela frente.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Estrelas e pessoas.

A vida na terra não é assim tão diferente da vida lá fora, no universo. Quando uma estrela morre, ela continua brilhando por milhões (e as vezes bilhões) de anos. Porém, efetivamente, aos poucos seu brilho vai diminuindo com o passar de tantos (milhares) de anos. Mas continua existindo. Não é tão difícil encontrar exemplo semelhante bem aqui, na terra.

De um modo mais metafórico, é a mesma coisa quando perdemos algum parente, amigo, em geral alguma pessoa especial. O brilho dessa pessoa na vida de quem a perdeu continua existindo, mesmo ela não estando mais lá. As memórias continuam no coração das pessoas. E a dor também. Mas com o passar do tempo, pelo menos por alguma parte de tempo, tudo isso diminui. A dor não dói tanto, as memórias não são mais tão frequentemente relembradas. E o brilho que existiu, quando ela estava viva, continua lá, não importa o quê. Pois, como as estrelas no universo, essas pessoas existiram. E por mais que não existam mais, o brilho delas continua emitindo luz, por vários e vários anos. Não podemos nunca apagar a existência desses seres (humanos ou astrofísicos).

Perder algo nunca é fácil. Seja um objeto muito estimado, um animal de estimação, uma pessoa querida. Nunca é fácil lidar com perdas tão especiais. E há sempre maneiras novas que inventamos para podermos ultrapassar essas fases tão ruins das nossas vidas. É inevitável. A morte pertence à vida do mesmo jeito que a vida pertence à vida. O eterno ciclo.

Enxergando as coisas desse jeito, fica fácil de entender o porquê de quando algumas pessoas morrem, dizem que elas viram estrelas no céu. Pois não importa o motivo, o brilho delas sempre existirá.

sábado, 6 de julho de 2013

Apostar

Eu sempre apostei no coração. Pra mim, era o que valia mais. Era aquilo de "siga o seu coração e você não vai se arrepender". Então, recentemente, aprendi que não é sempre assim. Que sim, é mais difícil de se arrepender se você seguir o que o seu coração diz. Mas, também, é mais fácil de sofrer. E me entenda, não é por medo de dor. A conheço bem, já somos velhas amigas. A questão aqui é outra, é aquela que pergunta se vale à pena.

Apostar todas as suas fichas em algo que você sabe que acontecerá do mesmo jeito não é algo inteligente. Falta razão. E é exatamente nisso que ando me apoiando ultimamente: razão. Por que continuar insistindo em algo que terá o mesmo resultado, se você pode apostar em algo novo e obter resultados diferentes (e, quem sabe, até melhores)?

Mesmo querendo dizer sim para os seus lindos olhos, que sempre me fascinam e hipnotizam, eu simplesmente não posso. Porque não são eles, é você. E tudo o que você (não) faz. São todas aquelas vezes que eu esperei por você e você não veio. São telefonemas não atendidos. É a sua falta de atitude. É você não dizendo o que pensa, e não provando o que sente. É por todo aquele tempo que você não disse nada.

É por essas ocasiões e mais algumas outras que eu não posso apostar mais em você. Você já me fez perder todas as minhas fichas, e agora ando com saldo negativo em questões do coração. Quem diria! Com toda aquela lábia até parecia que você era um bom jogador.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ultimato

Quando aquele dia te dei meu número, nunca pensei que tudo fosse se desenrolar desse jeito. Que você seria assim, e que acharia que okay, tudo bem brincar com os outros. Nunca pensei que tivesse que te dar um ultimato, e que você não ouviria o que eu estava dizendo.

Eu tinha fé em nós dois. Tinha fé no que poderíamos ser. E, sabe, tínhamos tudo para dar certo. Mas você não entrou na minha onda, pulou fora do barco antes mesmo desse sair em alto mar.
Não quis saber, não ouviu, não compareceu. Sweet nothing, that was all I had from you.

Olha aqui rapaz, agora não adianta chorar o leite derramado que você mesmo entornou. Apenas me deixa ir. Me deixa ir ser feliz, sozinha ou com outro ocupando o lugar que você não soube dar valor, e que devo dizer, é para poucos. Não é qualquer um que aceito ter do meu lado. Achei que você seria uma exceção, mas você acabou sendo a regra.

Porque eu preciso de além de carinho, amor. Alguém que me escute e que preste atenção no que eu digo. Que esteja ali para quando eu precisar. Que esteja ali, que queira estar ali.

Seu sweet nothing vai virar sweet everything. O meu everything. E, por mais que - não nego - possa te querer ao meu lado de vez em quando, a cabeça não está em cima do coração à toa. Às vezes devemos escutar a razão, mesmo sendo alguém que sempre escuta o coração.

Quem sabe dessa vez não funcione?

domingo, 30 de junho de 2013

Mágica existe sim

É tão bonito quando o dia está amanhecendo e a escuridão vai sendo engolida aos poucos por várias camadas de luz de diferentes cores claras.

É tão bonito como uma vida pode se reconstruir, depois de não sobrar pedra sobre pedra. Depois de se perder tudo, inclusive aquilo que realmente importava.

Tem gente que não acredita, mas querendo ou não, mágica existe sim. Em pequenas formas, e sem que nos demos conta. E são exatamente esses pequenos atos, que na verdade são gigantescos, que faz com que eu acredite nela. Principalmente o amor, as boas coisas que fazemos em nome dele.

E quando recuperamos algo que pensávamos ter perdido para sempre. E, sem que percebamos, "para sempre e "nunca mais" são sinônimos de pouco, pouco tempo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Querido,

A verdade é que já tem um bom tempo que não te escrevo… Mas aparecestes em meus sonhos esta noite. E ponderei sobre nossas velhas lembranças. Aquelas, das tardes em que passávamos juntos vendo filmes. O que eu posso dizer? Senti uma pontada de saudade. Até hoje não me esqueci de quando estávamos deitamos, e fizeste carinho em meu braço. Também não esqueço daquele abraço… o da despedida. Queria que tivesses me abraçado forte. (…) Vez ou outra sinto o teu cheiro no ar, e me lembro de ti. 
Dizem que amor verdadeiro não morre, querido. E que o primeiro também é o último. Mas como tudo isso vai se suceder? Como nos encontraremos de novo? Como a nossa história mal acabada vai recomeçar? Eu não sei, querido.  Perdoe-me meus cegos olhos através desses anos. Perdoe-me quando não fui capaz de vê-lo com outros olhos. Eu admito: a culpa inicial foi minha. Minha por fazer-te esperar tanto tempo até meu coração acordar e ver-te. E quando isso finalmente aconteceu, já estávamos tão perdidos… Tão perdidos que não soubemos fazer o nosso amor acontecer. Parecia magia, com um toque de veneno. E depois daquilo, daquela tarde que fizeste carinho em meu braço, as coisas foram se perdendo aos poucos. E eu não tive coragem suficiente para impedir que nos perdêssemos ainda mais. E então nos perdemos de nós mesmos. E ainda não nos encontramos. 
Ah, querido… Me lembro quando falastes comigo pela última vez. Parecias tão entusiasmado, mas de repente se calou, e eu não disse mais nada. E continuo não dizendo. 
Até hoje, quando vejo filmes de terror, sinto falta de você segurando a minha mão. Só porquê tenho medo e insisto em cobrir os meus olhos. E não há mais ninguém para fazer isso. Ninguém mais consegue me passar aquela segurança, ninguém mais consegue me fazer assistir à todas as cenas de olhos abertos.
Queria poder te dizer que não consigo te encaixar na categoria “velhos amores”, pois aqui dentro de mim te sinto tão recente. Parece que foi ontem que te conheci… E já faz mais que bons dez anos.
Honestamente eu espero que um dia encontremos o caminho de volta para nós mesmos, para que possamos dar continuidade ao que mal começou, e mal terminou.  Você sabe, serei sempre sua sua. Espero que continues sendo sempre meu.
Te guardo seu eterno amor.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A moça tricotava na janela logo cedo, antes das 7, observando o movimento da rua. O sol mal havia saído, e havia uma nuvem preta que encobria o local não deixando a pouca luz que tinha iluminar. Eu ficava de longe, do outro lado, observando ela observar as poucas pessoas que caminhavam na rua aquela hora. Tomava meu café sem nenhuma pressa de acabar, enquanto me distraia com qualquer coisa que via. É tudo tão silencioso, tão quieto, tão sem vontade. Olhava em volta e não tinha mais ninguém, apenas a moça tricotando alguma roupa com lã vermelha. Na rua, poucos carros. Ainda não havia luz direito. Os pombos buscavam alimento na areia do parquinho da frente. Um carro passava, mas logo se ia. A monotonia fica. Eu fico. A moça que tricota fica. Mas você se vai, mais uma vez, como toda manhã. Se vai sem dizer que volta, deixando uma enorme saudade emaranhada em meu peito.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Então, que o tempo leve.

Que leve todas as coisas ruins pra longe. Longe da cabeça, longe do coração. Que filtre minhas memórias, e que deixe apenas as boas, mas com os ensinamentos que tirei das ruins. Que faça com que eu entenda de uma vez por todas que a vida é uma eterna e constante mudança. Nada fica pra sempre, nem as coisas ruins. E por mais que vezenquando o peito doa, vai passar. Assim como a alegria de sexta feira, e o tédio de domingo. Passa. Às vezes traz coisas boas, às vezes coisas ruins. Você vai sempre estar conhecendo pessoas novas em todos os lugares, e nenhum clichê possível vai ser capaz de descrever o que você sentiu quando o viu com outros olhos. Mas vai perceber que a vida é um eterno clichê. E que atitudes valem mais do que palavras, e são elas que vão permanecer e que o tempo não vai levar. Na verdade, são poucas as que realmente ficam até o fim, aquelas que mais marcaram.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Acredito que no começo é sempre a mesma coisa: ninguém quer se apaixonar. Ninguém quer estar ali, com medo de dizer o que sente e não ouvir de volta; de ter o seu coração quebrado. Ninguém quer virar dependente ou submisso à alguém (mesmo que alguns consigam controlar isso, em certo ponto você vai sim, ficar dependente de quem você ama). Ninguém quer perder o rumo - novamente - caso algo dê errado no final das contas. Mas isso até se apaixonarem - ou começarem à se apaixonar. Alguns vão lutar contra esse sentimento. Outros vão se deixar levar - metade com medo, metade se preocupando apenas em sentir. E quando se permitem, percebem que não é tão ruim assim, mesmo que algo - ou tudo - dê errado. Porque no final, é sempre assim: você aprende alguma coisa. Ou com toda a dor que sentiu, ou com a pessoa que amou. E acaba descobrindo ser mais forte que esperava, após conseguir superar. Mesmo demorando o tempo que demorar. Afinal, nem sempre - ou melhor: nunca - é fácil. Só quem sente, sabe o que tal pessoa significou para ela. Sabe o quanto amou, sabe o quanto queria que tudo tivesse dado certo. Mas o destino não quis assim, talvez pelo clichê de que lá na frente há algo melhor pra aquela pessoa. Ou talvez porque realmente não era pra ser. Muitas coisas não são pra ser, e muitas outras não são feitas pra durar. Se não tiver uma base sólida o suficiente, sentimento o suficiente, confiança e todas as outras questões envolvidas, não vai durar. Uma relação não depende só de um, depende dos dois, do casal como um todo. E se ambos não estão totalmente dispostos, não vale à pena tentar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Senta-te na areia e deixa a água te molhar. Descobres se és sereia, se és filha do mar. Não tenha medo das pequenas algas, elas irão te guiar. Mas todo mar tem seus segredos, então não se deixes levar. Aproveita-te, e nada com os golfinhos, sem temer os tubarões. Quando a hora certa chegar, o seu coração irá lhe dizer se ali é o lugar certo para estar.

Filme de terror

Não via mais filme de terror. Não que agora tivesse medo, pois sempre tivera, é que agora não conseguia superá-lo. A falta dele ao lado dela, segurando a sua mão, lhe dando segurança... Ela não tinha mais. Sempre que começava a ver algum filme de terror, olhava para o lado na esperança que ele ali aparecesse como em um sonho, e ao constatar - mesmo que já sabendo - que ele ali não estava, sentia o medo à dominar e desistia de assistir o tal filme. Já não era possível tê-lo ali, e tinha medo de nunca mais sentir aquela presença tão perto.
Apesar dos apesares, ela tinha saudade dele ao seu lado, daquelas tardes. Eram tão crianças... Não esperava que marcaria tanto, que seria inapagável. Não imaginava que a mão dele segurando a dela faria tanta falta... Tanta falta. Necessitava agora daquela segurança que não tinha mais. Era como se aquilo tivesse se tornado um trauma: A falta da presença dele em filmes de terror, ele a impedindo de tampar seus olhos nas cenas assustadoras. (...) E depois de tantas lembranças recordadas, tudo o que ela mais queria naquele momento era ele ali, e um filme de terror.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

As pessoas que sabem viver

O interessante do mundo deveria ser as pessoas. Mas aquelas que sabem viver, entende? Aquelas que apesar de suas tristezas diárias, não deixam de sorrir. Mas não aquele sorriso que esconde uma lágrima, e sim aquele sorriso verdadeiro. Aquelas pessoas que não se deixam derrubar fácil, que por mais que a tristeza seja profunda, não deixam com que ela os afetem. É só tristeza, afinal. Não é algo que vá te levar à algum lugar, e se levar, não é dos melhores. Seriam aquelas pessoas que vivem a vida de peito aberto. Sem medo de encarar o que vier pela frente, coragem! Muita coragem, muita determinação, muita fé. Pois sem fé você não vai à lugar nenhum. E não precisar ser necessariamente fé em algum Deus, eu digo da fé em si mesmo. O mundo precisa de mais pessoas que acreditam em si, que confiam em si. Pessoas em que o amor próprio é maior que qualquer coisa. Pessoas que saibam valorizar as pessoas, pessoas que tem cuidado. O mundo precisa de mais pessoas de corações quentes, pulsantes e calorosos. Não dessas de corações gelados, mentirosos e medrosos.

sábado, 11 de junho de 2011

Ausência Presente

Me tornei ausente do mundo, mesmo estando presente. Respondia que sim, mas não imaginava a pergunta. Fazia o mesmo caminho de todo dia, no automático. Não havia nada de novo, e mesmo que houvesse, eu não repararia pois já não estava mais ali. Não sei se foi a mesmice do dia à dia que me ausentou por completo desse mundo, ou talvez a falta de entusiasmo e vontade de qualquer coisa. Só sei que numa dessas ausências da mente, não mais voltei. Não tinha motivo pra voltar, não tinha ninguém que me fizesse querer voltar, então apenas fiquei. Provavelmente já passei até daquela fase de que necessitamos de algo pra continuar seguindo, pra continuar acreditando. Sabe de uma coisa? Não me importo. Toda essa ausência presente, me fez perceber que não há falta real de algo, de alguém. Você pode ir e voltar quantas vezes for, ninguém vai notar. Então aprendi a não me importar, a não ligar, a não me esquentar com pequenas coisas, como fazia. E por mais que seja ausente, sou presente na minha felicidade apenas junto à mim. E finalmente percebi que a unica pessoa que pode me fazer feliz, é aquela à qual reflete o espelho quando me deparo de frente à ele.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O amor do dia dos namorados

Sempre que chega perto do dia dos namorados, é amor pra todo lado. Amor falso, devo dizer. Todo ano, insistem em tentar vender amor por aí, em forma sólida, digo, de presentes. E qualquer propaganda mal feita, ou bonitinha é criada, sempre citando o tal “amor”. É meio irônico, pessoas que mal conhecem - se conhecem - o amor, tentando vender amor por aí. Amor não se vende. Amor verdadeiro existe o ano inteiro, ou em qualquer data, não em um dia específico. Sei lá, pra mim é só mais uma chance do mercado banalizar o amor como se fosse um nada. Como se pudesse ser comprado e vendido. E isso é tão trágico. E ainda tem aquelas cascas vazias que acham que “o melhor amor”, é aquele que dá o presente mais caro. Ah, por favor! Está na hora de você rever os seus conceitos sobre o amor. 
Na maioria das vezes, o presente mais simples, aquele com maior significado sentimental, é o mais bonito. Não aquele comprado em uma joalheria feito com ouro, diamante, ou sei lá o quê, e dado por ‘obrigação’. Amor de verdade não tem dia pra ser demonstrado, ou presenteado. Amor de verdade é aquele que faz com que você queira, e arrume sempre novas maneiras de demonstrá-lo, e claro, sempre de novos jeitos. Amor de verdade não é aquele que você encontra em alguma vitrine, e sim aquele que faz com que você perca noites de sono, o ar, a fala, quando a pessoa amada está perto. Que te deixa nervoso apenas pela presença. Amor de verdade tá no coração, não pode ser comprado e muito menos embalado.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tentar.

Eu quero a unha, meu cabelo vira e mexe também quebra. Quebrar a cara então, virou rotina. Já me acostumei, e não teria como não me acostumar. Mas todas às vezes que quebrei a cara, ao menos tentei. “Nem sempre quem tenta, consegue. Mas quem conseguiu, com certeza tentou.” E eu acho que tem que ser exatamente assim. Claro, talvez você se machuque. Mas quem nunca se machucou? Pessoas te machucam com gestos, palavras, e mil e outras coisas todos os dias. É normal, faz parte. E você cresce em cima disso. Após toda dor, tem um aprendizado. Então eu acho que é assim: mesmo que você se machuque e quebre a cara, você deve tentar. Essa é a chave para conseguir.

Ary Leal

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tá na hora de começar a viver de verdade.

O que você programou para a sua vida hoje? Levantar, tomar algum remédio para aliviar a dor do corpo, ligar a tv e procurar por algo que te agrade? E o que irá fazer pelo resto do dia? Algo interessante? Tá na hora de começar a viver de verdade. Deixar o desânimo, a má vontade, e a preguiça de lado. Começar a dizer sim, ao invés de dizer tantos ‘nãos’. Esqueça a sua rotina diária, e se aventure por caminhos desconhecidos; procure uma bifurcação. Arrume sua mala, e coloque apenas o necessário, e principalmente: não tenha medo do que poderá encontrar. Me diga, aonde você quer chegar com essa rotina de quarto-sala-banheiro-cozinha? Você não vai à lugar nenhum - literalmente -, e sabe disso. Então também não reclame daquele comercial onde acontecem coisas improváveis. Improváveis no seu jeito monótono de levar a vida, devo dizer. Você consegue, e pode mais que isso. Não tenha medo, estou dizendo de novo, repita comigo.Então levante essa bunda do sofá, e procure algo interessante pra fazer.Afinal, o que você vai contar para os seus netos?
Ary Leal